Tuesday, September 18, 2007

"Canto" das Memórias

É impressionante como a música tem o dom de alterar o nosso estado de espírito.
Depois de receber uma notícia terrível e de passar algumas horas angustiantes meti-me no carro e preparei-me para uma longa viagem em direcção á realidade.
Peguei num velho álbum de Iron Maiden para me fazer companhia e meti-me a caminho.
Enquanto a música tocava, senti um esboço de sorriso a formar-se nos meus lábios.
Já nem me lembrava deste movimento tão instintivo, tão natural, que transmite um sentimento positivo. Os últimos acontecimentos não me deixaram muito espaço para este tipo de pensamentos. Mas a música tem destas surpresas!

O primeiro álbum de Metal que comprei, largos anos atrás, foi “No Prayer For The Dying” dos Iron Maiden.
Foi a primeira vez que senti, verdadeiramente, o poder do Metal.
Na altura os Nirvana eram o centro do meu universo musical. Tinha curiosidade em tudo o que aparecia relacionado com os Nirvana. Foi assim que comecei a ouvir grandes bandas como Pixies, Melvins ou Sonic Youth, mas ansiava por conhecer outro tipo de sons.

Havia na minha escola uma esquina, designada “O Canto” onde estavam habitualmente os chamados “Gajos Fixes”, os alunos mais populares.
Eu e um grande amigo meu costumávamos passear por esse canto restrito, na esperança de nos infiltrarmos no grupo, mas eramos muito putos na altura (alguns anos depois tive o orgulho de ter feito parte desse "canto" mas nessa altura era mais que um grupo, era uma família... apelidada de Família Prazeres E Morais!)
Numa dessas viagens reparei numa t-shirt que um dos ‘gajos fixes’ trazia. Uma carantonha medonha estampada e uma inscrição onde se lia Iron Maiden.
Nessa mesma semana estava numa loja de música com o meu pai e reparei numa cassete em exposição na montra.
Peguei na cassete e olhei atentamente. No topo lia-se “Iron Maiden” e a capa tinha um cadáver a sair do túmulo. Lindo!
O álbum era o “No Prayer For The Dying”!
Depois de uma dura batalha com o meu pai, lá consegui o financiamento necessário para poder adquirir este som. Corri para casa e ouvi a cassete de uma ponta á outra.
No final, ainda incrédulo com o que tinha ouvido, só me restou carregar no play outra vez… e outra… e outra!

Decorria o ano de 1992. Tantos anos depois, este álbum ainda me faz carregar no play da minha aparelhagem vezes sem conta.
Um pouco perdido na vasta discografia desta magnífica banda, penso que nunca se fez a devida justiça a este seminal álbum. Perdoem-me os fãs mas, para mim, é indiscutivelmente o seu melhor trabalho.
Talvez seja a nostalgia a falar, mas é uma opinião sincera.

E hoje, sentado na sala de espera de um Hospital, este álbum faz-me novamente sonhar.
Enquanto escrevo estas linhas e recordo velhos tempos, os problemas desaparecem por minutos, e ganho um novo fôlego para a longa espera que ainda tenho pela frente.

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