Friday, April 27, 2007

Sinfonia

Como o tempo passa!
Longe vão os saudosos tempos em que as k7s eram o nosso meio de comunicação.
Muitas horas passei a ouvir e a gravar cassetes.
Juntávamo-nos nas casas uns dos outros na
ansia de conhecer cada vez mais bandas novas. Trocavamos experiencias e k7, faziamos ‘mixes’ de sons desconhecidos, na esperança de existir alguns salpicos de genialidade entre aquelas canções. Daquele tipo de genialidade que nos deixa com arrepios!
Eram dias mesmo brutais.
Num desses dias mostrei a um amigo um som que andava a ouvir, a banda chamava-se Carcass e o álbum era o “Symphonies Of Sickness”.
Logo se iniciou uma discussão amigável. O meu amigo não compreendia como era possível eu gostar daquele som. Desde a gravação até á voz, tudo era horrível. Pelo menos na opinião dele.
Penso que foi o primeiro cd que ouvi com uma produção tão estranha. Parecia gravado numa garagem. O som estava distante e a voz era imperceptível, mas havia qualquer coisa naquele som… não posso afirmar que adorava, mas a verdade é que estava sempre a ouvir.
Tinham um groove “pegajoso”, um som “podre”.
Não consegui explicar ao meu amigo o porquê de gostar deste álbum, principalmente porque nem eu sabia. Era completamente diferente do que estava habituado! O mais parecido era certamente o “Utopia Banished”, mas com uma produção bem diferente.
Naquela altura quando me perguntavam quais eram as minhas bandas favoritas, nunca me lembro de ter referido os Carcass. Mas chegava a casa, e era o “Symphonies Of Sickness” que ainda estava na aparelhagem.
Nem sequer segui o trajecto da banda. O “Necroticism…” e o “Heartwork” passaram-me completamente despercebidos na altura.
Tudo isto mudou quando ouvi o “Swansong”. Para mim, um dos melhores álbuns de todos os tempos! É verdade que introduziram grandes doses de melodia e limparam o som, mas é um álbum… quase perfeito!
Agora, refiro sempre os Carcass como uma das minhas bandas favoritas, e o sublime “Swansong” como um dos meus álbuns preferidos, mas tenho tendência, inconscientemente, a negligenciar o “Symphonies Of Sickness”.
Por isso resolvi escrever este pequeno texto, não só para homenagear os Carcass, como para prestar o meu tributo a um álbum que me mostrou que existia todo um mundo novo para descobrir no que respeita a música extrema.

Tantos anos depois de ouvir aquela k7, este álbum (agora em cd) ainda é um cliente habitual da minha aparelhagem. É claro que com o passar dos anos, a maneira de vermos, ouvirmos e principalmente sentirmos a música evolui.
Tenho agora perfeita noção do que me chamou a atenção quando ouvi este álbum pela primeira vez: é um álbum visionário, muito á frente do seu tempo.

Friday, April 20, 2007

R.D.P.

Era ainda um puto quando ouvi pela primeira vez falar de Napalm Death. Um amigo emprestou-me uma k7 com o “Utopia Banished”. Para vos ser sincero não gostei nada. Achava o som bastante confuso e caótico.
Anos mais tarde, num festival, assisti a um concerto brutal desta banda. Fiquei surpreendido com o poder que destilavam em cada canção.
Acabei por comprar o álbum que tinha acabado de sair, “Diatribes”, e adorei.
Os dois álbuns que se seguiram foram igualmente geniais,”Inside The Torn Apart” e “Words From The Exit Wound”.
Curiosamente todas as pessoas que conhecia que gostavam de Napalm Death, detestavam estes álbuns.
Mas como era (e ainda sou) fascinado por esta banda, comecei a procurar cenas mais antigas (mas só da formação clássica para mim – com Mark "Barney" Greenway, Mitch Harris, Shane Embury, Danny Herrera e o grande Jesse Pintado (RIP)).
Decidi então comprar o "Utopia Banished", mas para meu espanto, vi que ia ser uma verdadeira aventura encontrar este cd á venda, uma vez que a qualquer loja que fosse estava sempre esgotado ou descatalogado.
Entretanto é editado “Enemy Of The Music Business” e a minha aparelhagem delira!

O Grind entra definitivamente na minha vida.
Abriu-me as portas para um estilo de música completamente diferente do que estava habituado. A velocidade, ferocidade, as mudanças de ritmo, o caos controlado, invocam um sentimento de fascínio difícil de explicar.
Não é fácil gostar de uma banda de Grind. Mas quando gosto, gosto mesmo, não há meio termo. Não existem aquele tipo de “gosto mais ou menos” ou “ouve-se”.


Chegamos então ao principal motivo pelo qual iniciei este texto: Ratos de Porão.


Comecei a ouvir R.D.P. devido á versão que Sepultura fizeram do clássico "Crucificados Pelo Sistema", mas o que me fez fixar a atenção nesta banda era o estilo Grind que implementavam no seu Hardcore. E para ajudar, vi uma foto em que um dos elementos tinha uma t-shirt de Napalm Death! Tudo se conjugava.

Enquanto escrevo, as minhas colunas bombam ao som do álbum “Homem Inimigo do Homem”, um dos melhores álbuns que ouvi ultimamente, e talvez o melhor trabalho de R.D.P.
As influências de Napalm Death estão bem presentes, sem nunca perderem a sua identidade, mas, para mim, este é o álbum mais Grind do conjunto (e ainda bem).
Aproximam-se do “Carnificina Tropical” sem se afastarem do excelente “Onisciente Colectivo”.
Com mais de 25 anos de existência, ainda mantêm a ferocidade que sempre os caracterizou. Embora muitos os chamem de traidores do movimento por diversas razões, a verdade é que uma das coisas que nunca perderam foi poder, velocidade e, acima de tudo, grandes canções (com letras que nos fazem pensar que estamos mesmo num mundo á beira do colapso!).



Como os próprios afirmam:
”Tudo o que sei, a rua me ensinou…
Tudo o que faço, é prá me divertir”

Isso ‘neguinho’ conseguiu!
GRANDE BANDA!



P.S.
Só para que não restem dúvidas ainda acho os álbum “Diatribes”, ”Inside The Torn Apart” e “Words From The Exit Wound” geniais.
E já consegui comprar o "Utopia Banished"!!















Jesse Pintado
RIP my friend!

Wednesday, April 11, 2007

Alma

"A boa música nunca se engana e vai direita buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora."

(Stendhal)

Tuesday, April 10, 2007

A Pergunta


E surge a pergunta: “Como é que consegues ouvir isto? É só barulho!”


Uma pergunta que me acompanha á muitos anos. Tantos que ás vezes já nem me dou ao trabalho de responder, principalmente porque a mentalidade fechada da maioria das pessoas impede a mensagem de chegar.
Mas se quisesse responder poderia começar por afirmar que, já no sec.XIX, Vítor Hugo escreveu que “A música é o barulho que pensa”.
Canções sobre morte, Inferno, corpos em avançado estado de decomposição, guerras, vampiros, sofrimento sublinham o universo do Metal para a maioria das pessoas.
Nem sequer vou tentar negar a existência desses temas, afinal bandas como Cannibal Corpse ou Carcass permitem-nos viajar pelos recantos mórbidos da mente humana (mas, parafraseando o poeta francês André Malraux, “Só a música pode falar da morte”), Slayer, Venom e tantos outros fazem-nos uma visita guiada a um mundo obscuro cheio de ódio e terror… Sim, tudo isto é verdade!

Mas funciona como um bom filme de Terror. Ver o Pesadelo Em Elm Street não significa que de seguida vamos começar a invadir os sonhos das pessoas, assim como ouvir Cannibal Corpse não implica ir para a rua violar e matar virgens. É apenas ficção e tem que ser vista (ouvida neste caso) como tal.


Ouvir Slayer, The Crown, ou Black Metal no geral não obriga a fazer parte de uma seita ou a fazer rituais. Podemos ter as nossas crenças religiosas e sentirmo-nos livres para ouvir o que queremos sem entrarmos em contradição com o que acreditamos. É necessário existir um “filtro”. Imaginar que é apenas uma história na sua vertente gótica. Como Dante fez quando descreveu o Inferno no seu famoso livro “A Divina Comédia”. Apenas uma história, que como qualquer outra nos permite exercitar a nossa imaginação.

A música funciona como um escape de emoções que nos permite manter o equilíbrio me(n)tal. Estar durante 20 a 30 minutos a "gritar" estas letras, a ouvir música extrema, permite-nos manter a nossa sanidade num mundo "cada dia mais sujo e agressivo". Permite-nos entrar num mundo imaginário onde somos verdadeiramente livres, e, durante aqueles momentos de puro 'headbanging', libertamo-nos de toda a energia negativa acumulada.
De seguida podemos estar a ouvir um som completamente diferente, tipo The Doors ou Tom Barman, Nick Cave, um Jazz, Nirvana, qualquer coisa, porque como costumo dizer ‘Para cada Emoção, uma Canção’.

Que outro estilo de música nos dá esta liberdade?

Muitas vezes ouvimos que determinados crimes foram influenciados por determinadas bandas. Provavelmente essas pessoas já têm problemas, tanto sociais como psicológicos. Por mero acaso também ouvem Metal. E é sempre mais fácil libertarmo-nos da culpa do que assumi-la.
E, na minha opinião, não é a musica que faz os criminosos mas sim a sociedade.
Mas atenção; Metal não necessáriamente sinónimo de terror!
Bandas como Iron Maiden contam verdadeiras histórias épicas em algumas das suas canções, Sepultura chamam a atenção para espécies em vias de extinção, Metallica na “Master Of Puppets” invocam o problema das drogas … só como exemplo!


Este texto é apenas uma opinião muito pessoal, mas sentida.
A maioria dos críticos não percebe nada de Heavy-Metal, por isso fazem críticas sem conhecimento de causa.
Mas a música sobrevive… ontem, hoje e sempre!




“Pouco importam as notas na música, o que conta são as sensações produzidas por elas”

(Leonid Pervomaisky)

Wednesday, April 4, 2007

Cantinho Nacional - PROBATION





Este mês em destaque no meu cantinho nacional estão os PROBATION.



Banda de Alenquer (Grande Vila), constituída por excelentes músicos (e excelentes pessoas).
Já com alguns anos de existência e bastantes concertos dados demonstram uma evolução musical constante e cada vez mais se afirmam como uma banda de valor no Metal Nacional
Os elementos da banda definem o som que fazem como "um som bruto, cheio de descargas de energia, muita atitude, e sem cair no comum e no que se ouve todos os dias"

Ouçam o som em:



site oficial: www.probationmusic.com/



Contactos para espectáculos: alexprobation@gmail.com






Tuesday, April 3, 2007

Blackening

Aproximava-se o final do ano, estava uma dia escuro e chuvoso e, como o tempo também não dava para grandes invenções, estava em casa mais um grande amigo meu desfolhando uma revista de musica, sedentos por novidades.
Na aparelhagem “Far Beyond Driven” servia de Banda Sonora á nossa leitura.
Decorria o ano de 94.
Numa das páginas da revista estava um Top 10 com os melhores álbuns do ano (“Far Beyond Driven” estava em primeiro!).
Eu e o meu amigo decidimos escolher dois cd's ao acaso dessa lista, juntamos todos os trocos que tínhamos e fomos ás compras.
Eu comprei um álbum de uma banda chamada Sencer (acabei por vender este cd alguns anos mais tarde para comprar Skinlab, banda que Robb elogiava muito e tornou-se também uma das minhas bandas favoritas – e parece que se vão reunir!!!!) , e o meu amigo um álbum de uns tais Machine Head. Um álbum chamado “Burn My Eyes”.
Corremos para casa para prendar os nossos ouvidos com sons novos (ainda hoje sinto uma necessidade incontrolável de conhecer novas bandas).
Mas, para ser sincero, esperava mais desses Machine Head, que eram descritos como ‘...novos Pantera ou até mesmo os novos Metallica.’.
Anos depois lançavam “...The More Things Change.” E ás más críticas começaram, assim como a minha paixão por esta banda. Ouvir “Take My Scars”, a brutal “The Frontlines”, o grito de Robb em “Spine” deixaram-me espantado.
Peguei então numa cópia de “Burn My Eyes” e resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade.
‘Devastador’ é á palavra que melhor serve para descrever o meu sentimento quando o a cassete chegou ao fim.
No ano de 1999, depois de uma controversa mudança de guitarrista, lançam o polémico “The Burning Red”, e enquanto todos os meus amigos ouviam uns então desconhecidos Slipknot, eu literalmente não conseguia parar de ouvir este álbum. Com “Supercharger” mais um álbum polémico, mas para mim mais uma colecção de grandes malhas.

Toda a polémica em redor do "The Burning Red" e "Supercharger" se deve á aproximação ao Nu-Metal, mas uma audição despida de preconceitos mostra que estes albuns são... diferentes mas, na minha humilde opinião, muito bons!
Entre mais uma mudança de guitarrista (desta vez Phil Demmel substitui Arhue Luster) lançam “Hellalive” mostrando que, se nos álbuns eram poderoso, ao vivo eram fenomenais, como se pode comprovar no DVD “Elegies”
A 20 de Abril de 2004 lançam “Through The Ashes Of The Empire” que não vou comentar pois penso que o meu vocabulário não contêm adjectivos suficientes para definir este álbum. Talvez ...‘Obra Prima’!
A entrada de Phil foi fundamental para este ‘renascer’. É um boss na guitarra este senhor!
Chegamos então ao presente, e o novíssimo álbum “The Blackening” invade-me os ouvidos enquanto escrevo estas linhas.
Muitos vão dizer que é o álbum do ano, outros tantos que não vale nada, mas eu defino como inovador e desafiante, poderoso e inteligente. Os riffs, o groove... MUITO MUITO BOM!
A paixão que entregam a cada nota torna os Machine Head em algo mais que uma simples banda. Torna-os numa lenda viva.