
Longe vão os saudosos tempos em que as k7s eram o nosso meio de comunicação.
Muitas horas passei a ouvir e a gravar cassetes.
Juntávamo-nos nas casas uns dos outros na ansia de conhecer cada vez mais bandas novas. Trocavamos experiencias e k7, faziamos ‘mixes’ de sons desconhecidos, na esperança de existir alguns salpicos de genialidade entre aquelas canções. Daquele tipo de genialidade que nos deixa com arrepios!
Eram dias mesmo brutais.
Num desses dias mostrei a um amigo um som que andava a ouvir, a banda chamava-se Carcass e o álbum era o “Symphonies Of Sickness”.
Logo se iniciou uma discussão amigável. O meu amigo não compreendia como era possível eu gostar daquele som. Desde a gravação até á voz, tudo era horrível. Pelo menos na opinião dele.
Penso que foi o primeiro cd que ouvi com uma produção tão estranha. Parecia gravado numa garagem. O som estava distante e a voz era imperceptível, mas havia qualquer coisa naquele som… não posso afirmar que adorava, mas a verdade é que estava sempre a ouvir.
Tinham um groove “pegajoso”, um som “podre”.
Não consegui explicar ao meu amigo o porquê de gostar deste álbum, principalmente porque nem eu sabia. Era completamente diferente do que estava habituado! O mais parecido era certamente o “Utopia Banished”, mas com uma produção bem diferente.
Naquela altura quando me perguntavam quais eram as minhas bandas favoritas, nunca me lembro de ter referido os Carcass. Mas chegava a casa, e era o “Symphonies Of Sickness” que ainda estava na aparelhagem.
Nem sequer segui o trajecto da banda. O “Necroticism…” e o “Heartwork” passaram-me completamente despercebidos na altura.
Tudo isto mudou quando ouvi o “Swansong”. Para mim, um dos melhores álbuns de todos os tempos! É verdade que introduziram grandes doses de melodia e limparam o som, mas é um álbum… quase perfeito!
Agora, refiro sempre os Carcass como uma das minhas bandas favoritas, e o sublime “Swansong” como um dos meus álbuns preferidos, mas tenho tendência, inconscientemente, a negligenciar o “Symphonies Of Sickness”.
Por isso resolvi escrever este pequeno texto, não só para homenagear os Carcass, como para prestar o meu tributo a um álbum que me mostrou que existia todo um mundo novo para descobrir no que respeita a música extrema.
Tantos anos depois de ouvir aquela k7, este álbum (agora em cd) ainda é um cliente habitual da minha aparelhagem. É claro que com o passar dos anos, a maneira de vermos, ouvirmos e principalmente sentirmos a música evolui.Tenho agora perfeita noção do que me chamou a atenção quando ouvi este álbum pela primeira vez: é um álbum visionário, muito á frente do seu tempo.








