Friday, April 18, 2008

Cannibalismo

Na continuação do entusiasmo desencadeado pela descoberta dos Deranged, fui invadido por uma saudade de ouvir (d)o bom Brutal Death Metal.
E quem melhor para essa tarefa que a banda que me deu a conhecer este estilo?
Cannibal Corpse!
Tudo começou com álbum “Tomb Of The Mutilated”.
Como afirmei anteriormente não foi uma introdução pacífica. Não foi um álbum de fácil digestão, mas é inequívoco que desde a primeira audição que me despertou uma certa curiosidade.
Só ao fim de algumas de audições começou a fazer sentido.
Depois de passarmos a barreira do preconceito, o que está do outro lado é arte. Arte na sua forma mais honesta e primitiva.
Deixando de lado a voz (já lá vamos), a qualidade dos seus elementos é inegável – Alex Webster é um mestre na arte do baixo –, as estruturas das canções, as brutais mudanças de ritmo, a velocidade com que é executada só está ao nível dos melhores.
Falando agora da voz, Chris Barnes continua com a sua voz gutural, aplicando-a ao melhor nível. Este senhor é dono de um rugido que fez história no metal. Espantoso!

Estava precisamente a por a posto os meus álbuns de Cannibal quando me lembrei de uma pergunta que nunca cheguei a responder: quem é o melhor vocalista para os Cannibal Corpse, George Fisher ou Chris Barnes?



Ouvindo os álbum da fase Chris Barnes encontramos uma banda na sua fase mais primitiva que, por mérito próprio, conseguiu construir um culto á sua volta.
Uma banda que se fechava na sala de ensaios com o objectivo de se tornar na mais brutal do planeta.
Praticamente sem ninguém por quem copiar, conseguiram a proeza de criar um estilo dentro de outro estilo – Brutal Death Metal.
Misturaram influências de Possessed, Hellhamer, Death, Venom e tantos outros e, aproveitando esses ensinamentos, adicionaram-lhe velocidade, letras mórbidas e uma voz incrivelmente gutural, criando um som único… o som Cannibal Corpse.
Quando George Fisher substitui Chris Barnes, entra numa banda já consagrada. O carisma de Barnes, e o sucesso do The Bleeding anteviam uma vida difícil para o novo vocalista.
Lembro-me perfeitamente de ouvir o “Devour By Vermin” quando o “Vile” foi editado. A música foi completamente rejeitada pelo meu inconsciente! Não dei qualquer hipótese nem ao álbum nem aos novos Cannibal Corpse.
Uns anos mais tarde li algures que o produtor Colin Richardson ia produzir o novo trabalho da banda.
Sendo um grande fã deste fenomenal produtor, não resisti a ouvir o recém-editado “Bloodthirst”.
A minha opinião sobre o George Fisher mudou radicalmente. Ou melhor, ao escutar o álbum sem preconceito pude comprovar as inegáveis qualidades deste vocalista. Disfrutei do som no seu todo, sem pensar em quem canta melhor ou qual o melhor álbum. Simplesmente peguei no livreto e acompanhei as músicas.
Quando chegou ao fim estava rendido.
Nunca chegaremos a saber como soariam os Cannibal Corpse se Chris Barnes não tivesse saído, mas vendo a direcção que tomou com os Six Feet Under talvez tenha sido uma mudança necessária. Não me interpretem mal, gosto bastante de SFU, apenas praticam um estilo diferente de Death Metal.
Uma nota especial para o álbum “The Wretched Spawn”, para mim, o auge da fase Fisher. Um álbum espantoso, a ombrear com o clássico “The Bleeding”.
Concluindo, George Fisher é um extraordinário vocalista e um talentoso frontman que permitiu que os Cannibal crescessem e se tornassem na banda que são hoje.
Mais importante do que saber é melhor que quem é dar o devido valor ao actual vocalista, e esse chama-se George “Corpsegrinder” Fish, e tem carregado a pesada bandeira dos Cannibal Corpse desde 1996.
Mas não queria deixar de elogiar também Barnes. Construindo uma banda á sua imagem, permitiu que tivesse a liberdade para experimentar outras variações dos seus grunhos e gritos sem a pressão de estar numa banda como Cannibal Corpse!
Continua a fazer excelente música, mais lenta mas repleta de groove e a sua voz continua a ser assombrosamente poderosa.


Sendo assim, e para finalizar, Chris Barnes e George Fish, obrigado pela música e pela dedicação ao Metal.

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