Wednesday, April 9, 2008

Obscenities In B-Flat


Apenas um barulho caótico sem nexo.
A voz, os instrumentos… uma mistura sem sentido.
Até que, depois da surpresa inicial, os meus sentidos começaram a pegar nas peças deste ‘puzzle’ e dar-lhe um sentido. Estava apresentado ao Death Metal por intermédio dos Cannibal Corpse.
A morbidez das letras que detalham cenários de violência e morte, as vozes guturais (predominantemente num tom grave mas com algumas variações para grunhidos agudos), a bateria incessante com lampejos jazzisticos e a velocidade trabalhada das guitarras com uma distorção profunda caracterizam este estilo.
Com o aumento da curiosidade descobri outras bandas como Morbid Angel, Death, Vader, Obituary, Dismember, Hypocrisy, Entombed antigo…
Mas, actualmente, tenho que confessar que raramente sou surpreendido neste estilo de música. Lembro-me das emoções que sentia ao ouvir os primeiros acordes de “Damnation”, as guitarras arrastadas em “Slowly We Rot”, o fabuloso “Leprosy”...

Continuam a existir (e a aparecer) grandes bandas de Death Metal mas, tirando os ícones, pouquíssimas bandas acrescentam algo de novo ao estilo (The Crown é um exemplo de uma banda que, dentro do Death Metal, criou um som muito próprio).
Poucos álbuns me têm surpreendido verdadeiramente (gostei muito do “Annihilation Of The Wicked” dos Nile, do excelente “Wretched Spawn” dos Cannibal Corpse e do “The Arrival” dos Hypocrisy).
Foi talvez por isso que quando um grande amigo me emprestou uns cds, um dos últimos álbuns a ter direito a uma passagem na minha aparelhagem foi precisamente o de uma banda de Death Metal de nome Deranged.
Por não esperar nada de novo, apenas mais do mesmo, deixei este som ‘encostado’.
Mas quando “Obscenities In B-Flat “ começou a rodar e os primeiros riffs de "Long Live The New Flesh" ecoaram nos meus ouvidos exclamei, e desculpem a linguagem, ‘FODASSE’!

Que grande álbum!
Talvez por estar a ouvir tanto posso estar a fazer uma crítica tendenciosa, mas é que é mesmo Brutal!
O que mais me surpreendeu foi o trabalho desenvolvido na construção das canções. Muito bem estruturadas, maioritariamente a meio-tempo, com muitas variações nos ritmos e com uma grande preocupação em manter o groove.
Para minha surpresa verifiquei que esta banda já existe á 17 anos, com vários trabalhos editados. Como é que me passou despercebida é algo que intriga mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Dá vontade de dizer "Welcome To My World".
Muita gente pode dizer que apesar de tudo não trazem nada de novo, mas para mim deixa-me os pêlos arrepiados, e é disso mesmo que os grandes álbuns são feitos – de Arrepios e Emoções!

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