Tuesday, April 10, 2007

A Pergunta


E surge a pergunta: “Como é que consegues ouvir isto? É só barulho!”


Uma pergunta que me acompanha á muitos anos. Tantos que ás vezes já nem me dou ao trabalho de responder, principalmente porque a mentalidade fechada da maioria das pessoas impede a mensagem de chegar.
Mas se quisesse responder poderia começar por afirmar que, já no sec.XIX, Vítor Hugo escreveu que “A música é o barulho que pensa”.
Canções sobre morte, Inferno, corpos em avançado estado de decomposição, guerras, vampiros, sofrimento sublinham o universo do Metal para a maioria das pessoas.
Nem sequer vou tentar negar a existência desses temas, afinal bandas como Cannibal Corpse ou Carcass permitem-nos viajar pelos recantos mórbidos da mente humana (mas, parafraseando o poeta francês André Malraux, “Só a música pode falar da morte”), Slayer, Venom e tantos outros fazem-nos uma visita guiada a um mundo obscuro cheio de ódio e terror… Sim, tudo isto é verdade!

Mas funciona como um bom filme de Terror. Ver o Pesadelo Em Elm Street não significa que de seguida vamos começar a invadir os sonhos das pessoas, assim como ouvir Cannibal Corpse não implica ir para a rua violar e matar virgens. É apenas ficção e tem que ser vista (ouvida neste caso) como tal.


Ouvir Slayer, The Crown, ou Black Metal no geral não obriga a fazer parte de uma seita ou a fazer rituais. Podemos ter as nossas crenças religiosas e sentirmo-nos livres para ouvir o que queremos sem entrarmos em contradição com o que acreditamos. É necessário existir um “filtro”. Imaginar que é apenas uma história na sua vertente gótica. Como Dante fez quando descreveu o Inferno no seu famoso livro “A Divina Comédia”. Apenas uma história, que como qualquer outra nos permite exercitar a nossa imaginação.

A música funciona como um escape de emoções que nos permite manter o equilíbrio me(n)tal. Estar durante 20 a 30 minutos a "gritar" estas letras, a ouvir música extrema, permite-nos manter a nossa sanidade num mundo "cada dia mais sujo e agressivo". Permite-nos entrar num mundo imaginário onde somos verdadeiramente livres, e, durante aqueles momentos de puro 'headbanging', libertamo-nos de toda a energia negativa acumulada.
De seguida podemos estar a ouvir um som completamente diferente, tipo The Doors ou Tom Barman, Nick Cave, um Jazz, Nirvana, qualquer coisa, porque como costumo dizer ‘Para cada Emoção, uma Canção’.

Que outro estilo de música nos dá esta liberdade?

Muitas vezes ouvimos que determinados crimes foram influenciados por determinadas bandas. Provavelmente essas pessoas já têm problemas, tanto sociais como psicológicos. Por mero acaso também ouvem Metal. E é sempre mais fácil libertarmo-nos da culpa do que assumi-la.
E, na minha opinião, não é a musica que faz os criminosos mas sim a sociedade.
Mas atenção; Metal não necessáriamente sinónimo de terror!
Bandas como Iron Maiden contam verdadeiras histórias épicas em algumas das suas canções, Sepultura chamam a atenção para espécies em vias de extinção, Metallica na “Master Of Puppets” invocam o problema das drogas … só como exemplo!


Este texto é apenas uma opinião muito pessoal, mas sentida.
A maioria dos críticos não percebe nada de Heavy-Metal, por isso fazem críticas sem conhecimento de causa.
Mas a música sobrevive… ontem, hoje e sempre!




“Pouco importam as notas na música, o que conta são as sensações produzidas por elas”

(Leonid Pervomaisky)

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