Era ainda um puto quando ouvi pela primeira vez falar de Napalm Death. Um amigo emprestou-me uma k7 com o “Utopia Banished”. Para vos ser sincero não gostei nada. Achava o som bastante confuso e caótico.Anos mais tarde, num festival, assisti a um concerto brutal desta banda. Fiquei surpreendido com o poder que destilavam em cada canção.
Acabei por comprar o álbum que tinha acabado de sair, “Diatribes”, e adorei.
Os dois álbuns que se seguiram foram igualmente geniais,”Inside The Torn Apart” e “Words From The Exit Wound”.
Curiosamente todas as pessoas que conhecia que gostavam de Napalm Death, detestavam estes álbuns.
Mas como era (e ainda sou) fascinado por esta banda, comecei a procurar cenas mais antigas (mas só da formação clássica para mim – com Mark "Barney" Greenway, Mitch Harris, Shane Embury, Danny Herrera e o grande Jesse Pintado (RIP)).
Decidi então comprar o "Utopia Banished", mas para meu espanto, vi que ia ser uma verdadeira aventura encontrar este cd á venda, uma vez que a qualquer loja que fosse estava sempre esgotado ou descatalogado.
Entretanto é editado “Enemy Of The Music Business” e a minha aparelhagem delira!
O Grind entra definitivamente na minha vida.
Abriu-me as portas para um estilo de música completamente diferente do que estava habituado. A velocidade, ferocidade, as mudanças de ritmo, o caos controlado, invocam um sentimento de fascínio difícil de explicar.
Não é fácil gostar de uma banda de Grind. Mas quando gosto, gosto mesmo, não há meio termo. Não existem aquele tipo de “gosto mais ou menos” ou “ouve-se”.
Chegamos então ao principal motivo pelo qual iniciei este texto: Ratos de Porão.
Comecei a ouvir R.D.P. devido á versão que Sepultura fizeram do clássico "Crucificados Pelo Sistema", mas o que me fez fixar a atenção nesta banda era o estilo Grind que implementavam no seu Hardcore. E para ajudar, vi uma foto em que um dos elementos tinha uma t-shirt de Napalm Death! Tudo se conjugava.
Enquanto escrevo, as minhas colunas bombam ao som do álbum “Homem Inimigo do Homem”, um dos melhores álbuns que ouvi ultimamente, e talvez o melhor trabalho de R.D.P.
As influências de Napalm Death estão bem presentes, sem nunca perderem a sua identidade, mas, para mim, este é o álbum mais Grind do conjunto (e ainda bem).
Aproximam-se do “Carnificina Tropical” sem se afastarem do excelente “Onisciente Colectivo”.
Com mais de 25 anos de existência, ainda mantêm a ferocidade que sempre os caracterizou. Embora muitos os chamem de traidores do movimento por diversas razões, a verdade é que uma das coisas que nunca perderam foi poder, velocidade e, acima de tudo, grandes canções (com letras que nos fazem pensar que estamos mesmo num mundo á beira do colapso!).
Como os próprios afirmam:
”Tudo o que sei, a rua me ensinou…
Tudo o que faço, é prá me divertir”
Isso ‘neguinho’ conseguiu!
GRANDE BANDA!

P.S.
Só para que não restem dúvidas ainda acho os álbum “Diatribes”, ”Inside The Torn Apart” e “Words From The Exit Wound” geniais.
E já consegui comprar o "Utopia Banished"!!
Jesse Pintado
RIP my friend!

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